março 05, 2010
diferença
Quando falarmos já não vai fazer sentido, já não vai fazer diferença. Tudo tem um tempo, e os atrasos sucessivos às vezes pagam-se caro, deitam a perder amizades. Não te tenho raiva, nem estamos iminentemente por um fio. Nem a tua ausência despreocupada me atormenta especialmente. Mas não posso sinceramente dizer que posso contar contigo. Não realmente, não quando parece de facto importar. Não grande parte das vezes.
novembro 13, 2009
sorriso solto
Desligou o computador com um sorriso solto. Quase não acreditava, finalmente tinha pensado em si primeiro, não na logística ou na saudade dos outros. Cem por cento em si. Num click o instinto retraído durante anos, tinha ganhado voz, calado as culpas prematuras, voado em direcção a um país que sempre quis conhecer.
Talvez fosse a promoção da agência de viagem num timing tão perfeito que quase parecia intervenção cósmica. Talvez fosse a fome de desaparecer durante uns dias.
Talvez fosse apenas o destino, ou a vida a dar-lhe tréguas.
Talvez fosse a promoção da agência de viagem num timing tão perfeito que quase parecia intervenção cósmica. Talvez fosse a fome de desaparecer durante uns dias.
Talvez fosse apenas o destino, ou a vida a dar-lhe tréguas.
ao virar de mim
Escondem-se oceanos, ao virar de mim.
E silêncios que oscilam ao sabor das marés-vivas.
Tomo corpo nas ondas, transbordo no seu compasso.
Não tenho meio, princípio, nem fim.
Permaneço simplesmente num mistério incompleto de azul esverdeado.
E silêncios que oscilam ao sabor das marés-vivas.
Tomo corpo nas ondas, transbordo no seu compasso.
Não tenho meio, princípio, nem fim.
Permaneço simplesmente num mistério incompleto de azul esverdeado.
agosto 16, 2009
sem bagagens
Desde novo que sabia, que as pessoas que nos devem proteger nem sempre nos protegem. Pelo contrário, às vezes, são elas que nos fazem mal, de uma forma propositadamente consciente, como escape para as sua próprias misérias interiores, para as suas inseguranças. Lidar com o amor incondicional e a raiva desmedida que sentia, era algo que fazia há muito tempo, e de forma quase descontraída, mas havia dias, em que o estranho equilíbrio a que se habituara não era alcançado, dias em que lhe apetecia fechar a porta para sempre, cortar contacto, ser apenas ele, sem bagagens, nem raízes.
julho 21, 2009
livro
Nas páginas de um livro, sentia-se em paz, mergulhava destemido, repousava no silêncio preenchido das palavras que lia, nas imagens que desenhava.
Entrava na vida de seres imaginados, que lhe pareciam reais, e nessa altura as suas ansiedades ficavam anestesiadas, adormecendo um pouco mais ao virar de cada página.
Era como um observador oculto, espreitando em surdina, adivinhando pensamentos e palavras, ansiando pelo acalmar da tormenta, pela descoberta de novas oportunidades.
Sim, um livro era um amigo valioso, que lhe permitia viajar, descansar de si próprio, reflectir sobre outras vidas que não a sua.
Entrava na vida de seres imaginados, que lhe pareciam reais, e nessa altura as suas ansiedades ficavam anestesiadas, adormecendo um pouco mais ao virar de cada página.
Era como um observador oculto, espreitando em surdina, adivinhando pensamentos e palavras, ansiando pelo acalmar da tormenta, pela descoberta de novas oportunidades.
Sim, um livro era um amigo valioso, que lhe permitia viajar, descansar de si próprio, reflectir sobre outras vidas que não a sua.
maio 31, 2009
anymore
You never seem to be here. And I, I have just run out of hope. It is like we keep on dancing, but there is no music anymore. As if our bodies were moving, because they have to, because they remember how. And I, well, the only thing I know for sure is that there is more than this.
maio 23, 2009
déjà vu
Às vezes há necessidade de tomar decisões, mesmo que aquilo que esperávamos que acontecesse, ou pudesse acontecer, deixe de ser tão certo como pensávamos. Mesmo que a vida teime em trocar-nos as voltas, nos negue alegria, não haja esperança.
No final das contas, e apesar dos cacos, das cicatrizes de dores recentes ou antigas, há que pronunciar o passado no passado. Mesmo que o futuro se assemelhe a um estranho déjà vu.
No final das contas, e apesar dos cacos, das cicatrizes de dores recentes ou antigas, há que pronunciar o passado no passado. Mesmo que o futuro se assemelhe a um estranho déjà vu.
abril 19, 2009
imóvel
Ficou ali, à beira rio, contemplando a sua solidão reflectida sem pudor, nem consideração. Por mais voltas que desse, voltava sempre ali, àquele estado de espírito, sentindo-se esmagada pelas voltas que a vida lhe dava. Cruzou o casaco, e os braços um pouco mais, numa tentativa dupla de evitar o frio e de se abraçar. Mentalmente pronunciava uma ladainha que parecia ajudá-la. Ficou assim minutos, que se transformaram em horas. Catatónica. Imóvel. Ocasionalmente uma lágrima descia até aos seus lábios, até ao pescoço, secando por si. A dor ultrapassava os seus contornos e apenas manter-se imóvel parecia ajudar.
março 25, 2009
a viagem
Sentou-se junto à janela, quase encostando a cabeça ao vidro. Ajeitou as costas, cruzou as pernas. Os comboios sempre tinham exercido um fascínio especial sobre si, como se de um momento para o outro entrasse num mundo melhor, mais calmo, mais real.
Naquele dia, como em tantos outros não era tanto o destino que interessava, mas o percurso, a viagem. Essa era também uma das suas manias. Partir sem destino, fugindo dos pequenos tormentos do dia-a-dia, fazendo as pazes com a vida, esperando encontrar coisas e momentos para guardar, guardar cuidadosamente na alma.
A cadência da viagem quase lhe adormecia os sentidos, mas de quando a quando os tons de verde, as nuvens em carreiros surpreendiam pelos seus tons vibrantes, resgatavam-lhe a energia, e uma estranha paz de espírito instalava-se de tal modo que até os seus músculos, quase sempre tão tensos, cediam.
O livro que tinha trazido permaneceu intocado durante toda a viagem. Ouvir os pequenos ruídos do comboio, respirar as paisagens era tudo o que queria. A ausência de pensamentos, era deliciosa.
Naquele dia, como em tantos outros não era tanto o destino que interessava, mas o percurso, a viagem. Essa era também uma das suas manias. Partir sem destino, fugindo dos pequenos tormentos do dia-a-dia, fazendo as pazes com a vida, esperando encontrar coisas e momentos para guardar, guardar cuidadosamente na alma.
A cadência da viagem quase lhe adormecia os sentidos, mas de quando a quando os tons de verde, as nuvens em carreiros surpreendiam pelos seus tons vibrantes, resgatavam-lhe a energia, e uma estranha paz de espírito instalava-se de tal modo que até os seus músculos, quase sempre tão tensos, cediam.
O livro que tinha trazido permaneceu intocado durante toda a viagem. Ouvir os pequenos ruídos do comboio, respirar as paisagens era tudo o que queria. A ausência de pensamentos, era deliciosa.
março 12, 2009
angústia
Dor lambida, angustiante. Enrolada ao pescoço, esmagando, apertando. Dando lugar à inquietude, tapando a luz. Desassossego. Vontade moribunda. Um sem número de nadas que sufocam. Coisas que nunca vou ser. Amor que não existe. Quero ficar aqui e deixar os meses passarem. Esperar que esta prisão acabe. Contentar-me com o que sou.
março 07, 2009
devagarinho
Os teus olhos permanecem na minha memória. Os teus lábios.
Imagino que estás aqui e repouso no contorno dos teus ombros.
Deixo-me estar. Respiro devagarinho. Tenho medo que o momento acabe, que desapareças. Que o sonho acabe.
Imagino que estás aqui e repouso no contorno dos teus ombros.
Deixo-me estar. Respiro devagarinho. Tenho medo que o momento acabe, que desapareças. Que o sonho acabe.
março 01, 2009
passo a passo
Coisa nenhuma, destino esbatido. Passos e coisas. Pessoas. Caminho que se afasta, alma que teima em seguir. Corrigindo desvios maiores ou menores. Ganhando de novo o rumo que se extraviou. Permanecendo. Turbilhão de quereres, emaranhados em dores renovadas a cada dia, batalhas minúsculas que ganham pelo cansaço. E a vontade que não quebra, que mansa se eleva. Insistindo. Passo a passo. Ganhando experiência à vida. Descobrindo no resistir.
fevereiro 02, 2009
não dizeres nada
Será pedir demais? Que o silêncio ganhe espaço, que entre ti e mim não haja palavras. Não hoje. Não amanhã. Não depois de amanhã. Quero respirar, percebes? Deixar a alma alongar com os músculos. Ouvir os meus pensamentos. Deixar-te do lado de lá por momentos. Limitar o que somos agora.
Não digas nada. Não quero ouvir. A tua voz inquieta-me o coração, faz nascer uma persistente irritação. Descontrola-me.
Preciso de espaço. Preciso de tempo comigo. De tempo para mim.
Para o raio que parta os teus horários, os teus quereres, as tuas dúvidas. Para o inferno o que tu achas que eu acho, que eu sinto.
Deixa-me estar. Recuperar. Deixa-me refazer-me.
Eu quero silêncio. E se não me deres, vou gritar, como se não houvesse amanhã, como se me estivesses a matar, como se tudo fosse demais.
Estou por um fio. No limite da impaciência saudável.
Será que não percebes? Que se continuares a puxar, algo vai partir.
Nós, eu...
Será tão difícil não dizeres nada?
Não digas nada. Não quero ouvir. A tua voz inquieta-me o coração, faz nascer uma persistente irritação. Descontrola-me.
Preciso de espaço. Preciso de tempo comigo. De tempo para mim.
Para o raio que parta os teus horários, os teus quereres, as tuas dúvidas. Para o inferno o que tu achas que eu acho, que eu sinto.
Deixa-me estar. Recuperar. Deixa-me refazer-me.
Eu quero silêncio. E se não me deres, vou gritar, como se não houvesse amanhã, como se me estivesses a matar, como se tudo fosse demais.
Estou por um fio. No limite da impaciência saudável.
Será que não percebes? Que se continuares a puxar, algo vai partir.
Nós, eu...
Será tão difícil não dizeres nada?
dezembro 11, 2008
blue skyes
I have blue skyes on my arms, songs on my feet. There is no words, no sounds, just me. Runing on the same spot. Standing proud, joking with the wind that pushs me back. There is a short magic in my little sorrow, in my cozy sadness. And that is that, I am happy despite it all. I want to be here.
I have blue skyes on my arms, songs on my feet...
I have blue skyes on my arms, songs on my feet...
caminho
Ainda não cheguei, mas estou no caminho.
Passo a passo, mas no caminho.
E isso é tão importante, como chegar.
Passo a passo, mas no caminho.
E isso é tão importante, como chegar.
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